terça-feira, 9 de setembro de 2014

AMOR VIRTUAL



     As luzes da rua refletem na janela deixando o ambiente mergulhado na penumbra. A noite cai preguiçosamente... O farfalhar da minúscula e sedutora lingerie aumenta ainda mais o desejo e a ansiedade para o almejado momento.
  Ele bate levemente na porta que se abre devagar, como se cada detalhe fosse minuciosamente planejado...
  Ela corre ao encontro daquele vulto que invade a privacidade de seu quarto, jogando-se de corpo e alma naquele abraço que se abre e fecha em torno de seus quadris. Os lábios se procuram e se juntam num ardente e voluptuoso beijo. Um calor intenso percorre aos dois corpos sedentos de amor- sentimento que queima a carne e perfuma saciando a alma.
  Abraçados se dobram vagarosamente, tocando o linho do lençol para depois mergulhar na maciez do colchão que se rende ao peso dos corpos entrelaçados.
  A boca ávida percorre o busto arfante afastando o leve tecido e deixando a mostra os mimosos mamilos rosados. Ele abocanha um a um com carinho e avidez. O pequeno e delicado corpo estremece enquanto um leve gemido de prazer rompe o silêncio reinante na escura noite. O amante ainda mais excitado desce com os lábios, percorrendo e saciando-se a cada centímetro da pele acetinada que se oferece na languidez do amor.  
Enfim a última peça de roupa desce para o chão e um corpo esguio desabrocha diante dos olhos do amante apaixonado. Ele com um suspiro profundo e intenso toca aquele oásis tão sonhado com os lábios úmidos, como uma abelha a procura do precioso néctar. Mas é só um beijo, um ritual sublime, conhecido na linguagem dos amantes.
  Este gesto faz o pequeno e delicado corpo delirar e com a ferocidade de uma fêmea selvagem lança-se sobre o amado, dominada pelo desejo de ser possuída pelo seu macho.
  Agora é ela que quer desfrutar da preciosidade desse momento intimo e tão esperado...
Coloca-se sobre o corpo estendido, unindo novamente as bocas que se procuram. As salivas se misturam, as línguas se acariciam docemente.
    Momento supremo de junção das almas, felicidade inenarrável, gesto espontâneo e puro sem sombra de vulgaridade. Só o amor impera.
   É com esse amor que ela cobre o amado corpo de beijos, desfrutando-se também de cada centímetro, perscrutando imagináveis pontos íntimos e desconhecidos. Ele acaricia os cabelos sedosos da amada que queima o seu corpo, nessa carícia que lhe arranca gritos e gemidos de felicidade e prazer.  Ama essa mulher que sabe ser lady, até uma dama numa sociedade aristocrata, mas nesse momento esquece tudo para ser somente amante e satisfazer-lhe por inteiro- seus desejos e fantasias...
   Inebriado, quer essa mulher mais que tudo nesse momento e os desejos se misturam culminando na mais bela forma de amor: um mesmo corpo, uma só alma. São momentos em que  só se houve sussurros: palavras doces e maliciosas em que cada um expressa o imenso amor até então duramente contido, impedidos e separados pela tela de um computador.
   Realidade deliciosa!... O ato continua... Precisam transformá-lo em eternidade, pois ambos têm a consciência de que a separação vai doer muito. Ela exprime esse desejo de prendê-lo para sempre com a pressão sobre o órgão que a penetra, ele entende e une-se cada vez mais a esse precioso corpo. Após segundos nessa brincadeira deliciosa o êxtase final onde os sentidos se perdem no infinito e inconfundível ócio do prazer. Momentos que realmente duram eternidade!
   Então ela apoia a cabeça no peito ofegante do amado, aproveitando com alívio cada toque que lhe é permitido por essa sonhada presença. Finalmente tudo foi real! Sentiu melancolia ao recordar-se dos momentos vividos intensamente, mas que ao desligar a telinha do computador tudo acabava numa nuvem de sonhos que se dissipava cruelmente.
    Há dez anos viveram esse amor virtual. Sentiam-se felizes, pois o sentimento sempre foi verdadeiro, mas faltava o cheiro, o toque dos corpos que agora exauridos repousavam um sobre o outro, verdadeiramente saciados da fome do amor que os consumia quando fechavam a tela do computador.
Zilda Costa- Fui desafiada a escrever um conto sensual. Saiu isso!

quarta-feira, 30 de julho de 2014




Denise Moraes - nascida em Vitória/ES, filha de Moacyr Pinto Moraes e Edy Nascimento Moraes. Tem  formação superior em Letras - UFES, possuindo ainda vários cursos extracurriculares. Exerceu a profissão de bancária, professora na Rede Pública e Privada, e ministrou aulas de pintura em seu ateliê.
Iniciou sua carreira artística despretensiosa, brincando de pintura na adolescência. Posteriormente fez curso acadêmico clássico de pintura. O seu estilo é o impressionismo leve em óleo sobre tela, e revela traços de primitivismo romântico, segundo análise do historiador, urbanista e professor da UFES, Ernesto de Souza Pachito. Com certa dose de autodidatismo, a  artista experimenta materiais recicláveis, como pó-de-serra, areia, barro, usando como suporte colagem em MDF, lonas costuradas e outras que trazem inspiração para a pesquisa em tela, porcelana, parede, etc.  Ela busca ainda, pela pesquisa, novos suportes para a arte, fugindo do academicismo clássico na tela plana, análise do artista plástico e advogado Antonio MarMel, de Brasília-DF, e ainda do professor de pintura acadêmica, o paranaense Alexandre Shuck, que em sua análise observa que a pintora também revela traços do expressionismo.
"Com conhecimento de causa pela nossa longa convivência virtual, acrescento: pessoa sensível, talentosa, mãe dedicada e uma amiga altruísta e incentivadora em todas as categorias de artes." (Zilda Costa).


A TERNURA DA INFÂNCIA

A ternura dos momentos que na memória,
não se apagam jamais.
Dos encantos que ao passado nos remete,
em pensamento, a infância viva se manterá.

Quão doces recordações!
As mais simples, impossíveis de apagar...
Noites enluaradas, nas cantigas de roda,
meninas de mãos entrelaçadas, numa só voz a entoá-las.

E nas tardes de verão,
sempre a esperada visita do tio Joca.
Com mil e umas histórias pra contar!
Dos Contos de Fadas ao  seu Lobão.

Era uma vez...
Num encanto, tal qual varinha de condão,
a bicharada saia da toca.
Era a nossa melhor diversão!

E antes de dormir, a tia Lili ensinava a rezar.
E lá do alto, o anjo a nos guardar.
Denise Moraes



CONFIDÊNCIA DA GLAMOUROSA POETISA

À nossa glamourosa poetisa   
que enobrece os heróis da Inconfidência.                          
E na casa Dos Contos em Ouro Preto, enfatiza
os sentimentos de liberdade das lutas dos heróis vividas.

Pagaram caro, perderam a vida,
e nas noites frias das ruelas da Cidade,
sentimos os seus fantasmas.
Numa entrega, sacrificaram pela Pátria, suas vidas.

Os heróis morrem...
Nas suas conquistas sobreviveram em Romanceiro da Inconfidência.
Uma homenagem da grande Cecília Meireles, a poetisa.
( Denise Moraes )

O BOLO DE CECÍLIA MEIRELES
A poetisa dos olhos tristes.
Cecília mãe, esposa e mulher.
Pelas filhas sempre lembrada,
porém, jamais perceberam seu triste olhar ...
Recordam do seu bolo.
Feito com amor e poesia.
Deixou na lembrança o seu lado materno... a doçura e o paladar.
Para o mundo... lia e escrevia.
E as fotos a revelar...
Que sofriam de amor, seus olhos tristes.

( Denise Moraes

terça-feira, 17 de junho de 2014

HOMENAGEM A MEU PAI



A CULPA É DE QUEM?
      Meu pai, apesar da simplicidade, era um homem sábio. Surpreendemo-nos um dia em que ele disse, nos seus 80 anos de vida, que não mais pertencia a esse mundo. Explicava que no seu tempo, os homens possuíam brios, responsabilidades... Era desnecessários burocracias e papéis, pois bastava deixar um fio de seu bigode para que no dia certo estivesse ele no lugar marcado para honrar o seu compromisso. Hoje em dia, completava ele zombateiro, nem deixando toda a cabeleira da cabeça, nem assinando todos os papéis exigidos burocraticamente pela sociedade, se preocupam em manter o nome honrado. Esse comportamento o deixava abismado.
       Hoje, já numa idade madura me ponho a pensar que estou atingindo a perplexidade de meu pai e começo a entender que também já não reconheço esse mundo.
     Quando mais jovem, era comum ouvir entre os colegas, um apelidando o outro de negão, pau de vira-tripa, baixinha, gordinha... E ninguém encarava isso como bulling, aliás essa palavra surgiu há pouco tempo, nem meu notebook a reconheceu.
      Negão é o pior, pois podemos até ser processados por racismo. Eu estou pensando em processar certas pessoas negras por preconceito também, pois elas muito me discriminaram, não sei se é pela minha cor morena ou por ser eu de uma estatura abaixo da média. Uma se trata de uma psicóloga negra que, sendo minha vizinha, pensei que pudéssemos ser amigas, pois sempre a cumprimentei com um sorriso no rosto, falei com seus filhos na rua, respeitando as regras da boa vizinhança. Mas, comecei a perceber que ela me ignorava nas rodas de amigos, nas redes sociais, deixando bem claro que dispensava minha amizade. Outra negra também, foi uma colega de trabalho, professora substituta que chegou a escola onde eu lecionava. Ofereci meus préstimos em tudo que ela precisou e tivemos um ano de muita convivência e amizade. Bastou passar o ano para ela me ignorar... Insistindo ainda, fui até a casa dela levar um convite do lançamento de meu primeiro livro. Ela não foi, não me deu um telefonema e me evita quando me encontra na rua. Descobri então que os negros são muito preconceituosos comigo. Aproveito até para agradecer minhas amigas e amigos virtuais negros, que são muito poucos, mas me deram a honra de me adicionarem. Obrigada por me verem como uma pessoa normal.
      Quando vejo a televisão, então me sinto realmente desatualizada. Os casais românticos não são mais um mocinho lindo com uma mocinha linda também, que se amam, casam e vivem felizes para sempre. São dois homens que se acariciam, se beijam e planejam constituir uma família com uma barriga de aluguel, pois claro, biologicamente, apenas espermatozóides não combinam para gerar um filho. Ou então duas mulheres lindas também fazendo par romântico. Uma abandonando o lar, deixando o filho, para viver um caso de amor com outra mulher. Fico pensando na minha ingenuidade como isso funciona e para gerar filhos que é o objetivo maior de uma relação, também não combinam. Deus fez tudo tão certinho, porque estão complicando tudo desse jeito?
       No dia das mães, mostraram os diferentes tipos de casais. Ainda perguntaram para uma criança: - Ela é o que sua? A menina respondeu: - Mamãe! E a outra? Insistiu a jornalista - Mamãe também!
      Imaginei essa criança na escola, como ficará essa cabecinha!
     Se meu pai estivesse vivo e visse tudo isso, não sei o que diria agora.
     E a falta de respeito que domina a maioria... Pai!! Sabe que os filhos não respeitam mais os seus pais e olha que se eles quiserem educá-los são impedidos pela lei da palmada e podem até acabarem penalizados? Então os filhos aproveitam: roubam, matam, barbarizam e depois infelizes e desiludidos procuram as drogas para uma ilusória felicidade. Eles desconhecem as palavrinhas mágicas que aprendemos com vocês e depois na escola, porque se os professores insistirem em ensinar apanham – eles podem usar da violência porque são menores de idade. Então os professores são espancados e muitas vezes até mortos. Não podemos mais também sentarmos a porta, nem esquecer o portão da frente encostado, porque esses marginais entram porta a dentro nos levando tudo que adquirimos com sacrifício, fruto de nosso trabalho, palavras que desconhecem. As músicas que ouvimos hoje, não falam de amor, nem de carinho, nem de boas maneira, mas de sexo, de desrespeito, de incentivo a violência.
      Realmente, eu não reconheço mais esse mundo e agora entendo o que o senhor queria nos dizer. E quando ouço e assisto na TV os absurdos que cometem os governantes, então! Sinto como estamos desprotegidos e carentes. Isso não é evolução, o senhor estava certo pai, mas prometo-lhe que continuarei através de minhas palestras e de meus livros de autoajuda contribuir para o resgate de valores por tudo que aprendi com o senhor, pois sabe, pai - a culpa de tudo isso cabe a cada um de nós quando ficamos omissos assistindo e apoiando tamanhas barbaridades. Sua Bênção pai, nesse dia que comemoramos o seu aniversário e minha admiração eterna!
Zilda Costa.