As secretárias do lar comemoram a nova lei a elas aplicada como se fosse algo de muito bom, uma conquista como poucas. Os grupinhos se reúnem para alertarem uma as outras para que fiquem bem atentas com os patrões como se estivessem falando de inimigos que querem prejudicá-las. Mas, será que é isso mesmo? Será que essa nova lei e seus artigos repletos de reivindicações irá mesmo resolver o problema dessa classe trabalhadora que está deixando de fazer parte de uma família onde era amada e respeitada para ser apenas uma profissional repleta de direitos? O que entrevejo, na realidade, é um alto nível de desemprego: pessoas desamparadas, após anos de dedicação pelo simples fato dos patrões não terem condições de arcar com tantas despesas inesperadas. Quem poderá ter esses profissionais a seu serviço? Certamente não os professores, nem os pequenos empresários e nem, tampouco, casais que estão se iniciando na vida profissional.
Lembro-me com saudade da vida no sítio onde nasci. Tínhamos vários empregados que faziam um pouco de tudo. As mulheres cuidavam de nós crianças, da roupa da família, da fabricação de polvilho, farinha de mandioca, sabão de pedra- tudo produto retirado da terra cultivada pelos respectivos maridos. Não havia esse consumismo de nossos dias. À tarde iam para suas casas levando um pouco do tudo também que haviam produzido durante o dia e que garantiam o sustento da própria família. Minha mãe estava sempre supervisionando todo trabalho das mulheres enquanto preparava o almoço para todos. Também nas horas de folga costurava para famílias que lá trabalhavam. Tudo grátis, muitas vezes até os tecidos. Era um trabalho conjunto em que todos saiam ganhando. Todos eram amigos, compadres, enfim pessoas que se respeitavam e que eram unidos por uma sincera amizade. As crianças eram ensinadas a tratar todos os mais velhos com respeito, patrões e empregados.
Quando fomos para a cidade estudar não foi diferente. Tínhamos uma moça que me ajudava nos trabalhos de casa, pois meus pais continuavam no sítio e minha irmã já trabalhava fora. Essa jovem era tratada como pessoa da família: alimentava-se de nossos alimentos, usava nosso sabonete e xampus e era monitorada nos trabalhos da escola por nós que estávamos sempre em séries mais adiantadas. Isso sem contar que meu pai comprava todo material escolar também para ela no começo do ano. Quando aparecia um trabalho melhor ou ela por vontade própria decidia sair, não havia brigas nem confusões judiciárias. Por outro lado, quando não correspondia às nossas expectativas ,também a dispensávamos e ia cada um buscar livremente os seus objetivos.
Tudo isso me põe a refletir:- será mesmo que estão resolvendo problemas ou mais uma vez estão iludindo pessoas inocentes, deslumbradas com frágeis promessas que estão muito fora de nossa realidade? É importante reconhecer que nem sempre valores monetários prevalecem para nos proporcionar uma vida de amor, paz e harmonia que constitui a verdadeira felicidade.
Zilda Costa
O gabinete daquela escola de ensino médio se convertera, por alguns momentos, em palco para uma cena constrangedora.
Um aluno de dezesseis anos de idade estava ali, sentado, cabeça baixa, pensamento em desalinho, aguardando a sentença final.
Os pais, desolados, olhavam em silêncio para o filho, sem saber o que dizer diante daquele momento acerbo.
Vários de seus professores já haviam dado seus depoimentos, todos desfavoráveis ao jovem rebelde.
Se o garoto fosse expulso seria um peso a menos na sua árdua obrigação de ensinar...
Se se livrassem daquele estorvo sua tarefa ficaria mais leve, talvez pensassem alguns daqueles educadores.
O silêncio enchia a pequena sala, quando chegou o último professor para dar seu parecer sobre a questão: era o professor de Física.
Homem maduro, lúcido, educador por excelência, sentou-se e, antes de dizer qualquer palavra, olhou detidamente nos olhos de cada uma daquelas criaturas ali sentadas, e sentiu-se extremamente comovido diante da situação.
Como poderia ajudar a resolver a questão sem prejuízo para o seu aluno? Afinal, para aquele nobre mestre, expulsar um aluno seria decretar a própria falência como educador.
Então, ele olhou carinhosamente para a mãe e perguntou: O que está havendo?
O que aconteceu para que a situação chegasse a esse ponto?
Tamanha era a vibração de ternura que emanava da voz suave do educador, que a mãe se sentiu amparada na sua desdita e decidiu falar.
Olhou com afeto para o filho e, num tom de extremado carinho disse: Meu filho!
O jovem, diante da pequena frase que ecoou em seu íntimo com mais força do que mil palavras de reprimenda, desatou a chorar...
Chorou e chorou, compulsivamente...
A comoção tomou conta do gabinete e as lágrimas rolaram quentes dos olhos daqueles pais sofridos e também do professor e da diretora.
Após quase meia hora, as lágrimas foram cedendo lugar a um certo alívio, como se uma chuva de bênçãos tivesse lavado o travo de fel que pairava sobre a pequena assembleia...
Quebrando o silêncio, o garoto falou: Mãe, posso lhe prometer uma coisa?
Vocês nunca mais virão à escola por motivos como este.
* * *
Um ano se passou, e a promessa que o jovem fez se cumpriu.
Um dia, o professor encontrou seu aluno no corredor da escola e lhe fez a pergunta que há muito desejava fazer:
O que fez você mudar, aquele dia, no gabinete?
E o jovem respondeu, um tanto constrangido: É que minha mãe nunca havia me chamado de "meu filho".
Aquelas duas palavras, professor, pronunciadas pela minha mãe com uma sonoridade espiritual tão profunda, foram o suficiente para eu mudar o rumo da minha vida...
O rapaz se despediu e se foi, deixando o mestre absorto em seus pensamentos...
Em sua mente voltou a cena daquele dia distante, em que adentrou a pequena sala do gabinete...
Em suas conjecturas se perguntou sobre qual seria a situação daquele moço, se tivesse sido expulso da escola naquela oportunidade...
Pensou também na força da pequena frase: Meu filho! E ficou a imaginar quão poderoso é o afeto de mãe.
E, como homem notável e admirável educador, concluiu, em seus lúcidos raciocínios: O dia em que as mães quiserem, elas mudarão o mundo.
E foi assim que essa história teve um final feliz...
Um final feliz graças ao pequeno gesto de um professor...
Seu gesto foi como um raio de luz que penetrou aqueles corações com tamanha suavidade, que foi capaz de mudar para sempre a vida daquela família...
Pense nisso sempre que o seu parecer for solicitado diante de qualquer situação.
(Autoria desconhecida )